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| Teologia (parte I) |
| SETAD - SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS, SÃO PAULO - SP CURSO MODULAR DE BACHAREL EM TEOLOGIA, NÚCLEO DE MARINGÁ - PR MONOGRAFIA DE TEOLOGIA PROFESSOR: Expedito Nogueira Marinho, Pr. ALUNO: Robson José Brito, Ev. S U M Á R I O O DEUS ÚNICO E VERDADEIRO É 5 A NATUREZA DE DEUS 6 A EXISTÊNCIA DE DEUS 7 OS ATRIBUTOS NATURAIS DE DEUS Espírito 8 Cognoscível 8 Eterno 9 Onipotente 10 Onipresente 10 Onisciente 11 Absoluto 11 Sábio1 12 Soberano 13 OS ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS 14 Fiel 14 Verdadeiro 15 Bom 16 Paciente 16 Amoroso 17 Gracioso e Misericordioso 17 Santo 17 Reto e Justo 18 ARGUMENTAÇÃO QUANTO À EXISTÊNCIA DE DEUS 18 Valor Do Argumento Da Existência De Deus 18 Provas Da Existência De Deus 20 Argumentos Diversos Que Compravam 20 A Realidade Da Existência De Deus 21 ARGUMENTOS Argumento do quinque viae exposta por Tomás de Aquino. 21 Argumento cosmológico 22 Argumento alicerçado da contingência ou da possibilidade. 23 Argumento axiológico 23 Argumento teológico. 23 Argumento da eficácia da razão 26 Argumento moral. 27 Argumento axiológico, em sua forma mais complexa 28 Argumento derivado da autoridade. 29 Argumento baseado na experiência religiosa. 29 Argumento baseado na esperança religiosa. 29 Argumento baseado na realidade dos milagres. 29 Argumento do consensus gentium. 30 Argumento baseado na revelação e no misticismo. 30 Argumento baseado na felicidade do crente. 31 Argumento baseado na melhor crença. 31 Argumento da aposta, apresentado por Blaise Pascal. 31 Argumento do teísmo pragmático. 32 Argumento de que Deus é a melhor explicação possível para a conjuntura. 32 Argumento alicerçado na fé pura. 32 Argumento da história. 33 Argumento que apresenta o homem como imagem e semelhança de Deus. 35 Argumento da Escritura 35 A SANTÍSSIMA TRINDADE Evidências Bíblicas Para a Doutrina 36 No Antigo Testamento 37 No Período Inter-Testamental 38 No Novo Testamento 38 A FORMULAÇÃO HISTÓRICA DA DOUTRINA DA TRINDADE Irineu Contra Os Gnósticos 42 Tertuliano Contra Praxeas 43 Orígenes e a Escola Alexandrina 43 O Monarquianismo Dinâmico: A Primeira Tentativa Fracassada 44 O Monarquianismo Modalístico: A Segunda Tentativa Fracassada 45 Arianismo: A Terceira Tentativa Fracassada 46 A Ortodoxia Trinitariana: Saindo Do Labirinto 47 RESUMO SOBRE AS OPINIÕES DE IMPORTANTES FILÓSOFOS E TEÓLOGOS SOBRE A TRINDADE 50 FILÓSOFOS E TEÓLOGOS QUE FIZERAM VÁRIAS OBJEÇÕES 51 À DOUTRINA ORTODOXA SOBRE A TRINDADE 52 A TRINDADE E A DOUTRINA DA SALVAÇÃO 52 A NECESSIDADE TEOLÓGICO-FILOSÓFICA DA TRINDADE 54 BIBLIOGRAFIA 56 T E O L O G I A O DEUS ÚNICO E VERDADEIRO É Conforme explanação do professor Expedito Nogueira Marinho Deus, etimologicamente falando, de fato, Deus “não existe”; Ele é! pois é incriado e não dependeu matéria prima alheia a Ele próprio. Muitas teologias sistemáticas do passado tentaram classificar os atributos morais e a natureza de Deus. O Supremo Ser, porém, como ensina Russel E. Joyner, esse Supremo Ser não se revelou simplesmente para transmitir-nos conhecimentos teóricos a respeito de si mesmo. Pelo contrário: a revelação que Ele fez de si mesmo está vinculada a um desafio pessoal, a uma confrontação e a oportunidade de o homem reagir positivamente a essa revelação. Isso fica evidente quando o Senhor se encontra com Adão, com Abraão, com Jacó, com Moisés, com Isaías, com Maria, com Pedro, com Natanael e com Marta. Juntamente com estas e muitas outras testemunhas (ver Hb 12.1), podemos testificar que estudamos a fim de conhecê-lo experimentalmente, e não somente para saber a respeito dEle. “Celebrai com júbilo ao SENHOR, todos os moradores da terra. Servi ao SENHOR com alegria e apresentai-vos a ele com canto. Sabei que o SENHOR é Deus” (Sl 100.1-3). Todos os textos bíblicos que examinarmos devem ser estudados com um coração disposto à adoração, ao serviço e a obediência ao Ú Único e Verdadeiro Deus. Nossa maneira de compreender a Deus não deve basear-se em pressuposições a respeito dEle, ou em como gostaríamos que Ele fosse. Pelo contrário: devemos crer no Deus que existe, e que optou por se revelar a nós através das Escrituras. O ser humano tende a criar falsos deuses, nos quais é fácil crer; deuses que se conformam com o modo de viver e com a natureza pecaminosa do homem (Rm 1.21-25). Essa é uma das características das falsas religiões. Alguns cristãos até mesmo caem na armadilha de se desconsiderar a auto-revelação divina para desenvolver um conceito de Deus que está mais de acordo com as suas fantasias pessoais do que com a Bíblia, que é a nossa fonte única de pesquisa, que nos permite saber que Deus existe e como Ele é. A NATUREZA DE DEUS Bem fizeram Guy P. Duffield e Nathaniel M. Van Cleave, na obra Fundamentos da Teologia Pentecostal, quando confessaram que o estudo da natureza de Deus deve ser abordado com humildade e reverência. Quem pode definir a natureza e essência do Deus infinito? Não só os seus caminhos são “inescrutáveis” (Rm 11:33), como também sua natureza e seu ser ultrapassam nossa compreensão. Todavia Deus nos revelou o necessário de sua natureza essencial para podermos servi-lo e adorá-Lo. É especialmente importante entender a natureza de Deus, como revelada na Bíblia, pois inúmeros conceitos de divindade são sustentados por aqueles que rejeitam o Deus das Escrituras. A Bíblia não nos dá uma definição única e abrangente de Deus; se “os céus, e ate o céu dos céus, não te podem conter” (1 Rs 8:27), como pode uma frase ou parágrafo de palavras humanas definir o seu ser? A seguinte definição, teológica, serve tão bem quanto qualquer outra: “Deus é um Espírito, Infinito, Eterno e Imutável em seu Ser, Sabedoria, Poder, Santidade, Justiça, Bondade e Verdade” (Catecismo de Westminster). Várias declarações sobre Deus na Escritura definem diversos aspectos de sua natureza, tais como “Deus é espírito” (Jo 4:24), “Deus é luz” (1 Jo 1:5), “Deus é amor” (1 Jo 4:8)e “Deus é fogo consumidor” (Hb 12:29). Nesta seção enfocaremos quatro aspectos da natureza divina. A EXISTÊNCIA DE DEUS Conforme já mencionei anteriormente, consoante a explanação do professor Expedito Nogueira Marinho Deus, do ponto de vista etimológico da palavra “existir”, “Deus não existe”; ele é!. A Bíblia não procura oferecer-nos qualquer prova racional quanto à existência de Deus. Pelo contrário: ela já começa tomando a sua existência como pressuposição básica: “No princípio, Deus” (Gn 1.1). Deus existe! Ele é o ponto de partida. Por toda a Bíblia, há evidências substanciais em favor de sua existência. Se de um lado “disseram os néscios no seu coração: Não há Deus” (Sl 14.1); por outro: “os céus manifestam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl 19.1). Deus se tornou conhecido mediante o seu ato de criar e de sustentar tudo quanto existe. Ele dá vida, alento (At 17.24-28), alimento e alegria (At 14.17). Essas ações são acompanhadas por palavras que interpretam o seu significado e relevância, fornecendo um registro que explica sua presença e propósito. Deus também revela a sua existência através do ministério dos profetas, sacerdotes, reis e servos fiéis. Finalmente, Deus se revelou claramente a nós mediante o Filho e por intermédio do Espírito Santo que em nós habita. Os que, entre nós, acreditam que Deus haja se revelado nas Escrituras, descrevem a Deidade única e verdadeira tendo como base sua auto-revelação. Vivemos, todavia, num mundo que, via de regra, não aceita esse conceito da Bíblia como fonte primária de informação. E são muitas as pessoas que preferem confiar na engenhosidade e percepção humanas para lograrem alcançar uma descrição particular da Deidade. Para acompanharmos os passos do apóstolo Paulo na obra de se conduzir a humanidade das trevas para a luz, precisamos ter consciência das categorias gerais dessas percepções terrenas. Sob o ponto de vista secular de se entender a história, a ciência e a religião, a teoria da evolução tem sido aceita por muitos como fato fidedigno. Segundo essa teoria, à medida que os seres humanos foram evoluindo, também evoluíram suas crenças religiosas e seus modos de expressá-las. A religião é apresentada como um movimento que parte de práticas e crenças simples para as mais complexas. Os seguidores da teoria da evolução dizem que a religião começa no nível do animismo – a crença de que poderes sobrenaturais, ou espíritos desencarnados, habitam nos objetos naturais e físicos. Tais espíritos, segundo suas próprias vontades malignas, teriam influência sobre a vida humana. O animismo evoluiu-se até transformar-se no politeísmo simples, no qual certos poderes sobrenaturais são considerados deidades. O passo seguinte, ainda segundo os evolucionistas, é o henoteísmo: uma das deidades atinge uma posição de supremacia sobre todos os demais espíritos, e é adorada em detrimento das outras. Segue-se a monolatria, quando as pessoas optam por adorar um só dos deuses, sem, porém, negar a existência dos demais. A conclusão lógica (segundo essa teoria) é o monoteísmo que surge somente quando as pessoas evoluem-se ao ponto de negar a existência de todos os demais deuses e de adorar uma única deidade. Entretanto, segundo Don Richardson, na obra O Fator Melquisedeque, as pesquisas realizadas pelos antropólogos e pelos missiologistas· neste século, demonstram com clareza que essa teoria não é corroborada pelos fatos históricos, nem pelo estudo cuidadoso das culturas “primitivas” contemporâneas. Quando os seres humanos criam um sistema de crenças segundo seus próprios desígnios, ele não tende a se desenvolver em direção ao monoteísmo, mas, sim, ao animismo e à crença em vários deuses. A tendência é cair no sincretismo, acrescentando-se a este deidades recém-descobertas ao conjunto das que já são adoradas. Para Russel E. Joyner, em contraste com a evolução, temos a revelação. Servimos a um Deus que tanto age quanto fala. O monoteísmo não é o resultado do caráter humano evolucionário, mas do desvendamento que Deus fez de si mesmo. A revelação divina é progressiva na sua natureza à medida que Deus se revelou através dos registros bíblicos. Já no dia de Pentecostes, após a ressurreição e ascensão de Cristo, temos a prova de que Deus realmente se manifesta ao seu povo em três Pessoas distintas. Nos tempos do Antigo Testamento, porém, a prioridade era estabelecer o fato de que há um só Deus em contraste com os inúmeros deuses cultuados pelos vizinhos de Israel, em Canaã, no Egito e na Mesopotâmia. Através de Moisés, essa verdade foi proclamada: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4). A existência de Deus e a sua atividade contínua não dependiam do seu relacionamento com qualquer outro deus, ou criatura. Pelo contrário: nosso Deus podia simplesmente “ser”, optando por chamar o homem a estar ao seu lado (não porque Ele precisasse de Adão, mas porque este precisava de Deus) . OS ATRIBUTOS NATURAIS DE DEUS Escrever sobre os atributos do Deus infinito é uma tarefa séria. No entanto, só podemos examinar a Palavra de Deus com a certeza de que nas Escrituras inspiradas temos a revelação de Deus para nós. Deus nos revelou aquelas perfeições e excelências da sua natureza que considera essenciais para nossa redenção, adoração e comunhão com Ele. Este pode ser um dos estudos mais interessantes na esfera da doutrina bíblica. A Palavra exara: “Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas” (At 17.25). Deus existe por si mesmo, pois não depende de nenhuma fonte originária para existir. Seu próprio nome, Yahweh, declara que “Ele é e continuará sendo”. Deus não depende de ninguém para aconselhá-lo ou para ensiná-lo: “Com quem tomou conselho, para que lhe desse entendimento... e lhe fizesse notório o caminho da ciência?” (Is 40.14). Ele não necessitou de outro ser para ajudá-lo na criação e na providência (Is 44.24). Deus quer e pode outorgar vida ao seu povo. Ele é único por independer de qualquer outro ser no Universo: “O Pai tem vida em si mesmo” (Jó 5.26). Nenhum ser criado pode fazer tal declaração. Quanto a nós, criaturas, só resta declarar-lhe nossa adoração: “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Ap 4.11). ESPÍRITO Os samaritanos eram considerados sectários pelos judeus do primeiro século, e inimigos a serem evitados. Forçados a abandonar a idolatria, os samaritanos elaboraram uma interpretação própria do Pentateuco, consagrando o monte Gerizim como o seu local de adoração. Além disso, rejeitavam o restante do Antigo Testamento. Jesus, na sua conversa com a mulher samaritana, desfez esse grave erro: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). De acordo com essa declaração, a adoração está limitada a nenhum local específico, posto que tal fato refletiria um conceito falso da natureza divina. A adoração teria de estar em conformidade com a natureza espiritual de Deus. A Bíblia não define “espírito”; limita-se a oferecer algumas descrições. Deus, como espírito, é imortal, invisível e eterno, digno de nossa honra e glória para sempre (1 Tm 1.17). Como espírito, Ele habita na luz, da qual os seres humanos são incapazes de aproximar-se: “A quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (1 Tm 6.16). Conforme ensina Russel E. Joyner, Sua natureza espiritual é-nos de difícil entendimento, pois ainda não o temos visto conforme Ele é. E, à parte da fé, somos incapazes de compreender o que não experimentamos. Nossa percepção sensorial não nos oferece nenhuma ajuda para discernirmos a natureza espiritual de Deus. Ele não está preso à matéria. Adoramos aquEle que é bem diferente de nós, mas que deseja dar-nos o Espírito Santo como antegozo do dia em que o veremos conforme Ele é (1 Jo 3.2). Então, poderemos aproximar-nos da sua presença, porque a nossa mortalidade será anulada, e nos vestiremos da gloriosa imortalidade (1 Co 15.51-54). COGNOSCÍVEL Deus jamais foi visto (Jó 1.18). O Deus onipotente não pode ser plenamente compreendido pelo ser humano (Jó 11.7), mas se revelou em diferentes ocasiões e de várias maneiras. Isso indica que é da Sua vontade que o conheçamos e tenhamos um correto relacionamento consigo (Jo 1.18; 5.20; 17.3; At 14.17; Rm 1.18-20). Isso não significa, porém, que podemos compreender completa e exaustivamente a totalidade do caráter e da natureza de Deus (Rm 1.18-20; 2.14,15). Assim, da mesma forma que Ele se revela, também se oculta: “Verdadeiramente, tu és o Deus que te ocultas, o Deus de Israel, o Salvador” (Is 45.15). Deus não se oculta para encobrir-nos seus atributos, mas para deixar-nos bem patentes nossos limites diante do seu ilimitado poder. Pelo fato de Deus ter decidido agir através de seu Filho (Hb 1.2) e ter a sua plenitude habitando nele (Cl 1.19), podemos estar confiantes de que encontraremos em Jesus as grandiosas manifestações do caráter divino. Jesus não somente torna conhecido o Pai, como também revela o significado e a importância do Pai Celestial. Por meio de sua palavra, Deus expressa o seu desejo de que o conheçamos: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10). Ele prometeu a Israel que, submetendo-se este à Sua vontade, Suas manifestações comprovariam ser Ele, de fato, o seu Deus, e que Israel era o Seu povo: “E sabereis que eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios” (Êx 6.7). Russel E. Joyner nos lembra que a conquista da Terra Prometida era também uma evidência significativa do fato de o Senhor ser o Deus único, vivo e verdadeiro, e da possibilidade de se O conhecer (Js 3.10). Os cananeus e outros povos que estavam prestes a sofrer o castigo divino seriam obrigados a reconhecer que Deus existe, e que estava Lutando por Israel (1 Sm 17.46; 1 Rs 20.28). Os que se submetem ao Senhor, entretanto, vão além da mera comprovação de sua existência, alcançando o conhecimento de sua pessoa e propósito (1 Rs 18.37). Segundo o Antigo Testamento, um dos benefícios de se ter um relacionamento pactual com Deus é que Ele estará continuamente se revelando àqueles que lhe obedecem os mandamentos e preceitos contidos na aliança (Ez 20.20; 28.26; 34.30; 39.22, 28; Jl 3.17). O homem, desde o princípio, vem procurando conhecer o seu Criador. Num dos períodos mais antigos da história bíblica, Zofar pergunta a Jó se essa busca daria algum resultado: “Porventura, alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso?” (Jó 11.7). Eliú acrescenta: “Eis que Deus é grande, e nós O não compreendemos, e o número dos Seus anos não se pode calcular” (Jó 36.26). Se temos algum conhecimento de Deus é porque Ele optou por Se nos revelar. Mas este conhecimento que agora temos, embora confessadamente limitado, é mui glorioso e constitui-se na base suficiente de nossa fé. ETERNO Medimos a nossa existência pelo tempo: o passado, o presente e o futuro. Mas Deus não está limitado pelo tempo, e nem por isso deixou de se revelar dentro de nosso ponto de referência - o tempo, a fim de tomarmos conhecimento dessa revelação. Os termos “eterno”, “perpétuo” e “para sempre”, são freqüentemente empregados pelos tradutores da Bíblia na tentativa de captar o sentido das expressões hebraicas e gregas que colocam a Deus dentro de nossa realidade temporal e finita. Ele existia antes da criação: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Ainda que vejamos o tempo como uma forma limitada de medição, a plena compreensão da eternidade está além de nosso alcance. Todavia, podemos meditar sobre o aspecto duradouro e intemporal de Deus. E isto nos levará a adorá-Lo como o Deus pessoal que estendeu uma “ponte” sobre o abismo que separava a sua essência - infinita e ilimitada, da nossa - finita e limitada. “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15). Portanto, na impossibilidade de se entender a relação entre o tempo e a eternidade, confessemos: “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1 Tm 1.17; cf. Nm 23.19; Sl 33.11; 102.27; Is 57.15). ONIPOTENTE Um antigo questionamento filosófico, indaga: “Deus é capaz de criar uma rocha tão grande que Ele não possa mover? Se Ele não consegue movê-la, logo, Ele não é Todo-Poderoso. Se Ele não é capaz de criar uma rocha tão grande assim, isso comprova que Ele também não é Todo-Poderoso” Essa falácia da Lógica simplesmente brinca com as palavras e desconsidera o fato de que o poder de Deus está relacionado com os seus propósitos. A pergunta mais honesta seria: Deus é poderoso para fazer tudo quanto pretende, e que esteja de acordo com o seu propósito? De acordo com os seus decretos, Ele demonstra que realmente tem a capacidade de realizar tudo quanto desejar: “Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem pois o invalidará? E a sua mão estendida está; quem, pois, a fará voltar atrás?” (Is 14.27). O poder ilimitado do único e verdadeiro Deus jamais será resistido, impedido ou anulado pelo ser humano (2 Cr 20.6; Sl 147.5; Is 43.13; Dn 4.35). Através de sua revelação, Deus demonstrou que a sua grande prioridade é chamar, formar e transformar um povo para Si mesmo. Isso pode ser visto na vida de Sara que, mesmo avançada em idade, Deus lhe concedeu a bênção da maternidade - conforme Ele mesmo o disse: “Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR?” (Gn 18.14; cf. Jr 32,17) - e na vida da jovem virgem Maria (Mt 1.20-25). O propósito sublime de Deus, contudo, foi realizado quando ressuscitou a Jesus dentro os mortos: “E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus” (Ef 1.19,20). Os discípulos, após uma declaração enfática de Jesus, meditaram sobre a impossibilidade de um camelo passar pelo fundo de uma agulha de costura (Mc 10.25-27), segundo a interpretação de Russel E. Joyner. A grande lição aqui é a impossibilidade de as pessoas se salvarem a si mesmas. No entanto, isto além de ser possível para Deus, está dentro do seu propósito. Por isso, a obra de salvação é de domínio exclusivo do Senhor. Podemos exaltá-lo, não somente porque Ele é onipotente, mas também porque os seus propósitos são grandiosos, e o seu grande poder é utilizado por Ele no cumprimento da sua vontade. ONIPRESENTE Nos dias do Antigo Testamento, as nações ao redor de Israel serviam a deuses regionais, ou nacionais, cujo poder limitava-se a localidade e ao ritual. Na maioria dos casos, os devotos achavam que tais deidades tinham poder somente nos domínios habitados pelo povo que lhes prestava culto. Embora o Senhor se apresentasse a Israel como aquEle que manifestava a sua presença somente no Santo dos Santos do tabernáculo, e posteriormente no do Templo construído por Salomão, não contradizia a sua onipresença, por ser isso uma concessão sua as limitações do entendimento humano. O próprio Salomão reconheceu esse fato: “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado” (1 Rs 8.27). Os seres humanos temos a nossa existência limitada às dimensões físicas deste universo. Não há absolutamente lugar algum para onde possamos fugir da presença de Deus: “Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face? Se subir aos céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Sl 139.7-10; cf. Jr 23.23,24). A natureza espiritual de Deus permite seja Ele onipresente e, ao mesmo tempo, esteja mui próximo de nós (At 17.27,28). ONISCIENTE “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4.13). Deus conhece todos os nossos pensamentos e intenções (Sl 139.1-4). Ele não se cansa na sua atividade de discerni-los (Is 40.28). O conhecimento divino não se acha limitado por nosso modo de entender o futuro, pois Ele conhece o fim de um determinado acontecimento antes mesmo deste ter início (Is 46.10). Não podemos adentrar o conhecimento e a sabedoria de Deus (Rm 11.33). Por isso, é difícil compreendermos totalmente como Ele pode conhecer previamente os eventos ocasionados por nosso livre-arbítrio. Russel E. Joyner declara que isso, às vezes, põe-nos diante não de uma contradição, mas de um paradoxo. As Escrituras não nos oferecem informações suficientes para resolvermos esse paradoxo. Colocam-nos, porém, a nossa disposição aquilo de que precisamos para que, com a ajuda do Espírito Santo, possamos tomar decisões que estejam em conformidade com a vontade divina. ABSOLUTO O Deus único e verdadeiro é Absoluto, dente outras por duas razões básicas: Por causa de sua auto-existência; e por causa de sua imutabilidade. Vejamos cada um desses aspectos de per si. Inicialmente, vemos de modo claro Sua auto-existência revelada nas Sagradas Escrituras: “Porque assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, também concedeu ao Filho ter a vida em Si mesmo…” (Jo 5: 26). Deus é a fonte absoluta de toda vida e ser, a Causa sem causa. Ele não é uma série de emanações, como alguns ensinam erroneamente. Ele é o eterno Deus vivente, criador de todos os seres e de todas as coisas que existem: “Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste” (Cl 1: 17). Deus não depende para o seu ser ou essência de qualquer fonte externa. Ele é portanto auto-existente, tem existência própria. Em segundo lugar, Sua natureza absoluta se revela por Sua imutabilidade. Ele próprio declara: “Porque eu, o Senhor, não mudo...” (MI 3:6). “Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança” (Tg 1:17). Gostamos de citar, a respeito do Senhor Jesus Cristo: “Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre” (Hb 13:8). As cláusulas “em quem não pode existir variação” e “Jesus Cristo e o mesmo” são incondicionais; portanto, a invariabilidade e a igualdade se aplicam a todos os atributos divinos. É muito consolador para o crente saber que as alianças e promessas de Deus são tão confiáveis quanto os fundamentos do céu. Na oração de dedicação do templo, feita por Salomão, ele declarou: “Bendito seja o Senhor que deu repouso ao seu povo Israel, segundo tudo o que prometera; nem uma só palavra falhou de todas as suas boas promessas, feitas por intermédio de Moisés, seu servo” (1 Rs 8:56). Contrariamente ao Senhor, o homem muda diariamente; sua obediência não é constante. As ações e atitudes negativas do homem podem diminuir a experiência de bênçãos condicionais para ele, mas isto não contradiz a fidelidade de Deus. Através da boca de Malaquias, Deus falou em tom de censura e exortação: “Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos (Jeová-Sabaoth)” (M1 3:7). Paulo, talvez mais que qualquer outro, expressa o amor imutável de Cristo: “Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8:38-39). SÁBIO No mundo antigo, o conceito de sabedoria estava, quase sempre, relacionado ao campo da teoria e do debate. A Bíblia, porém, coloca a sabedoria no âmbito da prática e, mais uma vez, nosso modelo para esse tipo de sabedoria é Deus. A “sabedoria” (hb. hochmah) reúne o conhecimento da verdade com a experiência do cotidiano. A sabedoria como conhecimento pode capacitar a pessoa a encher sua mente com uma enorme quantidade de fatos, mas sem qualquer entendimento do seu significado ou aplicação. A verdadeira sabedoria, porém, orienta. O conhecimento que Deus possui dá-lhe o discernimento de tudo quanto existe e que poderá vir a existir. Tendo em vista o fato de que Deus existe por si mesmo, seus conhecimentos estão além de nossa simples imaginação; são ilimitados (Sl 147.5). Ele aplica com sabedoria o seu conhecimento. Todas as obras das suas mãos são feitas pela sua grande sabedoria (Sl 104.24), e assim Ele pode tirar ou colocar reis, mudar os tempos e estações, conforme lhe parecer bem (Dn 2.21). Deus deseja que participemos de sua sabedoria e de seu conhecimento a fim de podermos conhecer os seus planos a nosso respeito, para podermos viver no centro de sua vontade (Cl 2.2,3). SOBERANO Pela fé cremos que Deus é soberano sobre as nações e sobre reino invisível. Sempre foi controversa discussão sobre a soberania de Deus e o livre arbítrio do homem. Paulo escreve em Efésios: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade...” (Ef 1:4,5). Esta passagem parece inferir que tudo resulta da vontade de Deus. Por outro lado, no capítulo 22 de Apocalipse, João cita Jesus em seu último apelo ao homem: “...e quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22:17b). Esta passagem diz claramente que a água da vida está à disposição de qualquer um com base na escolha e livre-arbítrio humano. As doutrinas da eleição e predestinação se encontram indiscutivelmente na Bíblia. For outro lado, temos as palavras de Jesus enquanto chorava sobre Jerusalém: “Jerusalém, Jerusalém... quantas vezes quis eu reunir os teus filhos... e vós não o quisestes!” (Mt 23:37). De novo: “Contudo não quereis vir a mim, para terdes vida” (Jo 5:40). Outra vez: “Para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (To 3:16). A Bíblia ensina, na verdade, as duas posições. Deus e soberano, mas não arbitrário. O homem tem liberdade de escolha e vontade, com certas limitações. Nossa incapacidade de reconciliar as duas posições não torna. falsa uma ou outra posição. Nossa incapacidade de ver como ambas podem estar certas ao mesmo tempo deve-se à nossa compreensão humana finita. Deus pode ser soberano sem violar a liberdade essencial do homem. Toda verdade divina é paradoxal pata nós, num certo sentido, porque nossa visão da realidade e apenas parcial, no máximo de 180 graus. A verdade divina é um círculo completo, de 360 graus. Samuel Fisk cita Charles Spurgeon como tendo dito: “Irmãos, disponham-se a ver ambos os lados do escudo da verdade. Superem a infância que não pode acreditar em duas doutrinas até ver o elo de ligação. Não tens dois olhos, homem? Será preciso que um deles não funcione, para que possas ver claramente?” O Dr. R.A. Torre, no seguinte texto, apresenta a presciência como base para reconciliar a predestinação com a liberdade de escolha do homem. Ele escreve: “As ações de Judas e dos demais foram incluídas no plano de Deus e portanto passaram a fazer parte dele. Isso não significa, porem, que tais homens não tivessem plena liberdade de escolha. Não agiram como o fizeram porque Deus sabia que o fariam, mas o fato de que agiram desse modo era a base para que Deus soubesse. A presciência não determina os atos do homem mais que o conhecimento posterior. O conhecimento é determinado peio fato e não o fato pelo conhecimento... Deus sabe desde a eternidade o que cada homem fará, se irá render-se ao Espírito e aceitar Cristo, ou se resistirá ao Espírito e recusará Cristo. Os que o receberam estão destinados à vida eterna. Se alguém se perder é simplesmente porque não quis aceitar Cristo e obter assim a vida (Jo 5:40). Quem quiser pode vir (Ap 22:17), e todos os que vierem serão recebidos (Jo 6:37).” OS ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS FIEL Os deuses das religiões do Oriente Próximo eram volúveis e caprichosos. A grande exceção era o Deus de Israel. Ele é fiel na sua natureza e nas suas ações. A palavra hebraica amen, “verdadeiramente”, é derivada de uma das mais notáveis descrições do caráter de Deus, que reflete a sua certeza e fidedignidade: “Exaltar-te-ei e louvarei o teu nome, porque fizeste maravilhas; os teus conselhos antigos são verdade e firmeza ‘emunah ‘omen – lit. ‘fidelidade de confiabilidade’” (Is 25.1). Embora usemos a palavra “amém” para expressar nossa certeza quanto ao fato de Deus responder-nos às orações, as ocorrências na Bíblia de palavras que se baseiam em amen abrangem uma gama ainda mais ampla das manifestações do poder e da fidelidade de Deus. O servo de Abraão atribuiu sua procura bem-sucedida de uma noiva para o jovem Isaque à natureza fiel de Deus (Gn 24.27). As palavras “benignidade” e “verdade” (hb. ‘emeth e ‘emunah) são, apropriadamente, extensões de um único conceito hebraico que se juntam na descrição da natureza divina. O Senhor comprova a sua fidelidade ao cumprir as suas promessas: “Saberás, pois, que o SENHOR, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Dt 7.9). Josué, já no fim de sua vida, declarou ao povo de Israel que o SENHOR nunca lhe faltara, nem sequer numa única promessa (Js 23.14). O salmista confessou: “tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus” (Sl 89.2). Deus se revela constante no seu desejo de ter comunhão conosco, de guiar e proteger-nos. Se Ihe estivermos submissos, nem mesmo o pecado e a iniquidade terão poder sobre nossas vidas: “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22,23). Pelo fato de Deus ser fiel, seria impossível pensar que Ele pudesse abandonar os seus filhos, quando estes estiverem passando por tentações ou provações (1 Co 10.13). “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” (Nm 23.19). Deus permanece estável quanto a sua natureza, ao passo que se mostra flexível nas suas ações. Quando Deus faz uma aliança com alguém, a sua promessa é um selo e garantia suficiente de sua imutável natureza e propósitos: “Pelo que, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento” (Hb 6.17). Deus jamais muda seus propósitos, pois se o fizesse, certamente estaria contradizendo o seu próprio caráter. Paulo faz um contraste entre a natureza humana e a divina, quando escreve sobre a glória que se segue após o sofrimento de Cristo: “Se formos infiéis, Ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2 Tm 2.13). A fidedignidade de Deus é absoluta por causa daquilo que Ele é: fiel e verdadeiro (Dt 32.4; Sl 89.8; 1 Ts 5.23,24; Hb 10.23; 1 Jó 1.9). VERDADEIRO “Deus não é homem, para que minta” (Nm 23.19). A veracidade de Deus forma um contraste com a desonestidade do ser humano. Deus é perfeitamente fiel às suas promessas e aos seus mandamentos (Sl 33.4; 119.151). Sua integridade moral é a sua característica pessoal permanente (Sl 119.160). A veracidade estável e permanente do Senhor é o meio através do qual somos santificados, porque a verdade proclamada tornou-se a Verdade Encamada: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Nossa esperança depende diretamente da garantia de que tudo quanto Deus nos revelou é a mais absoluta verdade. Tudo quanto Ele fez até agora, no que se refere ao cumprimento de suas promessas, é a garantia definitiva de que Ele cumprirá tudo o que prometeu (Jo 14.6; Tt 1.1). BOM Deus está, de acordo com sua natureza, disposto a agir com grande generosidade para com a sua criação. Durante os dias da criação, o Senhor examinava periodicamente a sua obra, e declarava ser ela boa, pois lhe agradava e era apropriada aos seus propósitos (Gn 1.4, 10,12,18,21,25,31). O mesmo adjetivo é usado para descrever o caráter moral de Deus: “Porque o SENHOR é bom; e eterna, a sua misericórdia” (Sl 100.5). Nesse contexto, a expressão transmite muito bem a idéia original de agradável ou plenamente satisfatória, mas também vai além disso, e ilustra a graça que é essencial na natureza de Deus: “Piedoso e benigno é o SENHOR, sofredor e de grande misericórdia. O SENHOR é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras” (Sl 145.8,9; ver também Lm 3.25). Essa faceta da natureza divina é manifestada na sua disposição de prover todas as nossas necessidades, quer materiais (a chuva e as colheitas, At 14.17), quer espirituais (a alegria, At 14.17; a sabedoria, Tg 1.5). Esse aspecto também se contrasta com as crenças antigas, segundo as quais todos os demais deuses eram imprevisíveis, malévolos, dentre outras coisas, menos bons. Podemos seguir o modelo de nosso generoso e compassivo Deus, pois “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17). PACIENTE Num mundo cheio de atitudes retaliatórias, quase sempre tomadas sem qualquer reflexão, nosso “Senhor é longânimo e grande em beneficência, que perdoa a iniquidade e a transgressão” (Nm 14.18). “Longânimo” significa “tardio em irar-Se”, demonstrando que Deus é paciente e cheio de compaixão e graça (Sl 86.15). Sua longanimidade visa o nosso benefício, e devemos reconhecer que é para levar-nos ao arrependimento (Rm 2.4; 9.22,23). Vivemos o grande dilema: por um lado, desejamos que Jesus cumpra o mais rápido possível as suas promessas relativas à sua segunda vinda; por outro, desejamos que ele a retarde um pouco mais, para que mais pessoas possam aceitá-lo como Salvador e Senhor. “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pe 3.9). O Senhor castigará os pecadores na sua vinda, mas, por enquanto, utiliza-se de sua longanimidade para alcançar e salvar o maior número de pessoas possível (2 Pe 3.15). AMOROSO Quando nos tornamos cristãos, o primeiro texto da Bíblia a ser memorizado é João 3.16, o qual recitamos com vigor e entusiasmo, muitas vezes enfatizando a expressão: “Deus amou o mundo de tal maneira”. Depois, com um conhecimento mais profundo do texto, descobrimos que a ênfase recai não ao caráter quantitativo do amor de Deus, mas ao qualitativo. E o fato mais importante não é que Deus nos tenha amado a ponto de dar o seu Filho, mas que Ele nos haja amado de maneira tão sacrificial. Deus se revelou como alguém que expressa um tipo específico de amor, o qual é demonstrado por uma dádiva sacrificial. João o define desta forma: “Nisto está a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10). Deus também demonstra o seu amor ao nos dar repouso e proteção (Dt 33.12), que devemos sempre lembrar em nossas preces de ações de graças (Sl 42.8; 63.3; Jr 31.3). No entanto, a forma suprema do amor de Deus, sua maior demonstração de amor, acha-se na cruz de Cristo (Rm 5.8). Ele quer que estejamos conscientes de que seu amor faz parte integrante de nossa vida em Cristo: “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef 2.4,5). O caminho mais excelente, o caminho do amor, segundo o qual somos exortados a andar, identifica as características que Deus nos revelou na sua Pessoa e na sua obra (I Co 12.31-13.13). Se seguirmos o seu exemplo, produziremos o fruto do amor, e andaremos de tal maneira que os dons (charismata) do Espírito Santo cumprirão em nós os seus propósitos. GRACIOSO E MISERICORDIOSO Os termos “graça” e “misericórdia” representam dois aspectos do caráter e da atividade de Deus que, embora distintos, são correlatos entre si. Experimentar a graça divina é receber uma dádiva que não podemos adquirir por conta própria, e da qual não somos merecedores. Experimentar sua misericórdia significa ser preservado do castigo a que se faz jus. Deus é o juiz supremo que detêm o poder para determinar, em última análise, a punição a quem merece. Quando Ele nos perdoa o pecado e a culpa, experimentamos a sua misericórdia. Quando recebemos o dom da vida, experimentamos a sua graça. A misericórdia divina remove o castigo, ao passo que a sua graça coloca algo positivo no lugar do negativo. Embora mereçamos o castigo, Ele nos dá a paz e restaura-nos integralmente (Is 53.5; Tt 2.11;3.5). “Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade” (Sl 103.8). Posto que precisemos ser trazidos da morte para a vida, esses aspectos de Deus são amiúde mencionados juntamente nas Escrituras com a finalidade de demonstrar seu inter-relacionamento (Ef 2.4,5; cf. Ne 9.17; Rm 9.16; Ef 1.6). SANTO “Porque eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44). Fomos chamados para ser diferentes, porque o Senhor é diferente. Deus se revela como “santo” (hb. qadosh), e o aspecto essencial de qadosh é a separação daquilo que é mundano, profano ou corriqueiro, e a separação (ou dedicação) para seus propósitos. Os mandamentos dados a Israel exigiam fosse mantida a nítida distinção entre as esferas do comum e do sagrado (Lv 10.10). Tal distinção tinha seu impacto sobre o tempo e o espaço (o sábado e o santuário), mas visava o indivíduo do modo mais relevante. Tendo em vista que Deus é diferente de qualquer outro ser, todos os que lhe estão submissos devem também estar separados - no coração, nas intenções, na devoção e no caráter - para Ele, que é verdadeiramente santo (Êx 15.11). Deus, por sua própria natureza, está separado do pecado e da humanidade pecaminosa. A razão por que nós, seres humanos, somos incapazes de nos aproximar de Deus, em nosso estado de pecado, é porque não somos santos. Na Bíblia, a questão da “impureza” não está relacionada à higiene, mas à santidade (Is 6.5). As marcas da impureza compreendem: algo quebrado ou defeituoso (ver Is 30.13,14), o pecado, a violação da vontade de Deus, a rebelião e a permanência no pecado. Posto que Deus é íntegro e reto, nossa consagração envolve tanto a separação do pecado quanto a obediência a Ele. A santidade é o caráter e a atividade de Deus, conforme revelada no título Yahweh meqaddesh, “o SENHOR que vos santifica” (Lv 20.8). A santidade de Deus não deve tornar-se mero assunto de meditação, mas um convite (1 Pe 1.15) para que participemos de sua justiça e O adoremos juntamente com as multidões. Os quatro seres viventes no Apocalipse não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir” (Ap 4.8; cf. Sl 22.3). RETO E JUSTO O Deus Santo é distinto e separado da humanidade pecaminosa. Mesmo assim, Ele permite que nos aproxime-mos de sua presença. Essa concessão acha-se baseada no fato de que Ele julga o seu povo com retidão e com justiça (Sl 72.2). Ambos os conceitos são freqüentemente combinados entre si para ilustrar a maneira como Deus se apresenta a nós. Na Bíblia, a retidão é vista segundo um padrão ético ou moral. A “retidão” (hb. tsedaqah) de Deus é tanto o seu caráter quando o modo que Ele opta por agir. Deus é reto no seu caráter ético e moral e, portanto, serve como padrão para determinar qual a nossa posição em relação a Ele. Semelhante a essa faceta de Deus é a sua justiça (hb. mishpat), através da qual Ele exerce o seu governo. Muitos sistemas democráticos modernos de governo separam os deveres do Estado em várias ramificações, que se equilibram mutuamente e que prestam contas umas às outras (o poder legislativo para elaborar e aprovar leis; o poder executivo para obrigar o cumprimento das leis e para manter a ordem; o poder judiciário para garantir a consistência das leis e para penalizar os transgressores). O mishpat Deus coloca todas essas funções dentro do caráter e do domínio do único Deus soberano (Sl 89.14). Nossas Bíblias freqüentemente traduzem esse termo hebraico por juízo, que enfatiza apenas um dos múltiplos aspectos da justiça (Is 61.8; Jr 9.24; 10.24; Am 5.24). A justiça de Deus inclui a penalidade do juízo, mas subordina essa atividade à obra global de estabelecer a sua justiça amorosa (Dt 7.9,10). O padrão com que Ele se apresenta a nós é perfeito e reto (Dt 32.4). Por isso, não podemos, por nós mesmos, ser aprovados por esse padrão, que Deus usa para avaliar-nos, pois todos nós ficamos em falta (Rm 3.23). E “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” (At 17.31). Por outro lado, Deus também se preocupa com as suas criaturas, preservando-as (Sl 36.5-7), além de lhes proporcionar a esperança para o futuro. A encarnação de Cristo incluía todas as qualidades e atividades da retidão e da justiça. Sua expiação vicária, em seguida, transmitiu-nos essa mesma retidão e justiça (Rm 3.25,26) a fim de comparecermos justificados diante do justo Juiz (2 Co 5.21; 2 Pe 1.1). ARGUMENTOS QUE PROVAM DA EXISTÊNCIA DE DEUS VALOR DO ARGUMENTO DA EXISTÊNCIA DE DEUS Guy P. Duffield e Nathaniel M. Van Cleave, na obra Fundamentos da Teologia Pentecostal, coerentemente, declaram que algumas pessoas, com boa razão, questionarão o valor dos argumentos sobre a existência de Deus. A Bíblia em ponto algum argumenta a esse respeito; em toda parte as Escrituras assumem sua existência como um fato aceito. O primeiro versículo das Sagradas Escrituras afirmai “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1). O salmista proclama mais adiante: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (S1 14:1a). O cristão e todos os adoradores de Deus aceitaram a existência de Deus como um ato de fé. Alguns teólogos, tais como Soren Kierkegaard e Karl Barth, rejeitam toda teologia geral ou natural e afirmam que Deus só pode Ser conhecido por um ato de fé. Todavia, a fé possuída pelo crente não é cega nem irracional. A fé é um dom de Deus (Rm 10:17); todavia, ela é sustentada por evidências claras para a mente imparcial. O salmista diz, como consolo para os crentes: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas: mãos” (S1 19:1). Paulo destaca em Romanos, capítulo um, que mesmo aqueles que não têm uma revelação da Escritura não possuem uma justificativa para a sua incredulidade: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis: porquanto, tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus...” (Rm 1:19-21). Assim, podemos ver que a Bíblia sustenta a validade de uma teologia natural. Devemos lembrar, no entanto, que, apesar de uma teologia natural poder indicar um criador poderoso, sábio e benévolo, nada diz para resolver os problemas do pecado do homem, sua dor, seu sofrimento e sua necessidade de redenção. Também não pode afirmar, com João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29). Além disso, e importante lembrar que os argumentos da existência de Deus, tais como os fornecidos por uma teologia natural, não constituem uma demonstração absoluta. Os seres finitos não podem demonstrar a existência de um Deus infinito. J. O. Buswell afirma: “Não existe um argumento conhecido por nós que, como argumento, leve a uma conclusão provável (altamente provável). Por exemplo, acredita que o sol irá levantar-se amanhã cedo, mas se fôssemos analisar as evidências, os argumentos que levam a essa conclusão, seríamos for que eles, por melhores que sejam, são caracterizados pela probabilidade. Os argumentos teístas não são uma exceção à regra de que todos os argumentos indutivos sobre o que existe são argumentos de probabilidade. Este é o ponto em que os argumentos, afirmam chegar.” Os argumentos sobre a existência de Deus que se seguem não são um substituto para a revelação de Deus nas Escrituras, nem podem levar a uma fé salvadora. Eles são um consolo par o crente e podem servir ao pregador do evangelho para despertar uma audiência atenta. Só o Espírito Santo suprirá a verdadeira fé em Deus. PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS Champlin conta que certa feita, estava pregando em uma igreja batista sobre as provas da existência de Deus. Procurei usar algumas poucas referências bíblicas que concordam em espírito com as provas filosóficas, mas que não se acham ali com o propósito específico de provar a existência de Deus. Fui severamente criticado devido aquele sermão, e uma da senhoras chegou a dizer: “Espero que o pastor não torne a convidar aquele filósofo para falar à igreja!”. Em uma outra ocasião, um jovem de um seminário batista, na cidade de São Paulo, referiu-se ao que aquela senhora dissera, concordando inteiramente com ela. Eu estava presente e ouvi a observação dele, mas não me dei ao trabalho de protestar. Mas eu sabia que tanto os cursos de filosofia como teologia (da escola que ele freqüentava) incluíam a existência de Deus, naquelas disciplinas. A ignorância dos fatos nunca leva a coisa alguma. Quanto mais aprendemos, tanto melhores ficamos. Os filósofos têm feito bem em examinar esse assunto: fazemos bem em ficarmos informados acerca do assunto. – mesmo que não precisemos de tais provas para consubstanciar a nossa fé cristã. Pois os que ainda pertencem ao mundo, talvez sintam que essas provas são úteis para eles consubstanciarem sua fé na existência de Deus. Outrossim, muitas dessas provas têm uma sólida base bíblica, ainda que, na Bíblia, tais conceitos não sejam expostos como provas. ARGUMENTOS DIVERSOS QUE COMPRAVAM A REALIDADE DA EXISTÊNCIA DE DEUS 1. Há a idéia do quinque viae exposta por Tomás de Aquino. Antes de tudo destaca-se o princípio do impulsionador primário, isto é, aquela força que desencadeou o movimento que agora sustenta o mesmo. O mundo seria, essencialmente, “matéria em movimento”. Precisamos explicar a existência tanto do movimento como da causa primária. Pois não é lógico entrarmos em um regresso infinito, afirmando que um movimento foi causado por um antecedente, e este por um outro, anterior a ele, e assim indefinidamente. Precisamos finalmente chagar à declaração da origem do movimento. Em Col. 1:17 vemos que esse poder é atribuído a Cristo (o Logos), ao passo que no trecho de Atos 17:28 essa força é atribuída a Deus Pai. Estes dois trechos foram declarações do Apóstolo Paulo. Por conseguinte, esse argumento de Tomás de Aquino já existe nas Escrituras, ainda que não na forma rigorosa de um argumento, porém meramente como uma afirmação sobre a origem do movimento e como o mesmo tem prosseguimento. O movimento assume muitas formas diversas, e, segundo o conhecimento mais avançado do que dispomos, sobre a particularidade, o movimento mais elementar é aquele que se verifica no interior do átomo, e que envolve os elementos constitutivos do átomo. Existe igualmente movimentos na formação das coisas, no desenvolvimento de qualquer r coisa a que chamamos de crescimento. Tais movimentos são governados por uma inteligência qualquer, porque, de outro modo, tudo não passaria do mais absoluto caos. Os movimentos são dirigidos na direção de alvos fixos, levados a efeito com propósito definido. Somente uma inteligência elevada poderia assim ordenar e dirigir tais movimentos. 2. O argumento cosmológico. Temos a necessidade de explicar a origem da matéria. Poderíamos encetar uma série infindável de retrocessos, supondo que há uma fileira interminável de causas, sem jamais chegarmos a uma causa primária - mas isso é simplesmente contrário à razão. Assim sendo, precisamos supor que existe uma causa, maior do que qualquer dos seus efeitos, causa essa que originou a matéria. Com base na grandiosidade da criação, podemos averiguar algo da grandiosidade da inteligência de Deus, bem como de seu extraordinário poder. A única alternativa possível a essa posição é aquela que afirma que a matéria é eterna; essa idéia entretanto, é muito menos satisfatória do que aquela que fala de uma Causa inteligente de todas as coisas. Causa essa que é eterna, mas que produziu a criação dentro do tempo. Coisa alguma, de tudo quanto existe, pode ser declarado como sua própria causa, por quanto sempre podemos encontrar uma causa para qualquer coisa, e outra causa para essa causa, e assim por diante. Finalmente, porém, somos forçados a pôr ponto final nesse retrocesso, supondo a existência de uma causa primária. Essa é a solução mais razoável, para o problema da origem, dentre todas as soluções que têm sido apresentadas pelos homens. Myer Pearlman nomenclatura esse argumento como sendo “Argumento da Criação”. Esse teólogo sustenta que a razão argumenta que o universo deve ter tido um princípio. Todo efeito deve ter uma causa suficiente. O universo, sendo o efeito, por conseguinte deve ter uma causa. Consideremos a extensão do universo. Nas palavras de Jorge W. Grey: “O universo, como o imaginamos, é um sistema de milhares e milhões de galáxias. Cada uma delas se compõe de milhares e milhões de estrelas. Perto da circunferência de uma dessas galáxias - a Via Láctea - existe uma estrela de tamanho médio e temperatura moderada, já amarelada pela velhice - que é o nosso Sol.” E imaginem que o Sol é milhões de vezes maior que a nossa pequena Terra! Prossegue o mesmo escritor: “O Sol está girando numa órbita vertiginosa em direção à circunferência da Via Láctea a 19.300 metros por segundo, levando consigo a Terra e todos os planetas, e ao mesmo tempo todo o sistema solar está girando num gigantesco circuito à velocidade incrível de 321 quilômetros por segundo, enquanto a própria galáxia gira, qual colossal roda gigante estelar. Fotografando-se algumas seções dos céus, é possível fazer a contagem das estrelas. No observatório de Harvard College eu vi uma fotografia que inclui as imagens de mais de 200 Vias Lácteas todas registradas numa chapa fotográfica de 35 x 42 cm. Calcula-se que o número de galáxias de que se compõe o universo é da ordem de 500 milhões de milhões.” Consideremos nosso pequeno planeta e nele as várias formas de vida existentes, as quais revelam inteligência e desígnio divinos. Naturalmente surge a questão: “Como se originou tudo isso?” A pergunta é natural, pois as nossas mentes são constituídas de tal forma que esperam que todo efeito tenha uma causa. Logo, concluímos que o universo deve ter tido uma Primeira Causa, ou um Criador. “No princípio - Deus” (Gên. 1:1). Dum modo singelo este argumento é exposto no seguinte incidente: Disse um jovem céptico a uma idosa senhora: “Outrora eu cria em Deus, mas agora, desde que estudei filosofia e matemática, estou convencido de que Deus não é mais do que uma palavra oca”. Disse a senhora “Bem, é verdade que eu não aprendi essas coisas, mas desde que você já aprendeu, pode me dizer donde veio este ovo?” “Naturalmente duma galinha”, foi a resposta. “E donde veio a galinha?” “Naturalmente dum ovo”. Então, indagou a senhora: “Permita-me perguntar: qual existiu primeiro, a galinha ou o ovo?” “A galinha, por certo”, respondeu o jovem. “Oh, então, a galinha existia antes o ovo? Oh, não, devia dizer que o ovo existia primeiro. Então, eu suponho que você quer dizer que o ovo existia antes da galinha”. O moço vacilou: “Bem, a senhora vê, isto é, naturalmente, bem, a galinha existiu primeiro”. “Muito bem” — disse ela — , “quem criou a primeira galinha de que vieram todos os sucessivos ovos e galinhas?” “Que é que a senhora quer dizer com tudo isto?” — perguntou ele. “Simplesmente isto” — replicou ela: — “Digo que aquele que criou o primeiro ovo ou a primeira galinha é aquele que criou o mundo. Você nem pode explicar, sem Deus, a existência dum ovo ou duma galinha, e ainda quer que eu creia que você pode explicar, sem Deus, a existência do mundo inteiro!” 3. O argumento alicerçado da contingência ou da possibilidade. Esse argumento tem por fundamento a verdade empírica que mostra que tudo quanto conhecemos, através de nossa experiência, é “contingente”. Em outras palavras, depende de alguma outra coisa para explicar a sua existência. Isso subentende que a menos que exista alguma coisa “necessária”, que “não possa deixar de existir”, todas as coisas, finalmente cessariam de existir, porquanto dependem ou são contingentes dessa coisa necesária. Uma vez mais poderíamos iniciar um retrocesso infinito, supondo que todas as coisas realmente dependem de alguma coisa, sem jamais chegarmos a um “ser necessário”, independente, que não depende do que quer que seja para sua existência. Porém, essa idéia é muito menos razoável do que supormos que ao longo do caminho de retrocesso, em algum lugar, se encontra aquela vida necessária, que não depende de qualquer outra coisa para a sua existência , mas antes, é sua própria causadora e existe independentemente de tudo o mais. A esse ser independente é que denominamos “Deus”. O evangelho de João encerra esse conceito em trechos como João 5:25,26 e 6: 57, onde se lê que esse tipo de vida independe, imortal e necesária foi conferida ao Filho de Deus (através das ressurreição), pelo poder de Deus Pai, e então, por intermédio do Filho, a todos quantos nele crêem. Esse é um dos conceitos mais elevados da religião, revelada ou não. O homem, através da doação, vem participar da “vida independente” de Deus, e assim virá a participar do mesmo tipo de imortalidade que Deus Pai possui. Essa é a autêntica vida eterna. 4. Argumento axiológico Em outras palavras, há uma forma ou graus de perfeição? Sempre que examinamos a bondade, a justiça, a beleza, a nobreza, ou qualquer outra das qualidades morais, observamos neste mundo muitos graus de perfeição. Ora, a própria idéia de “grau” subentende a necessidade de um grau máximo, ou seja, da perfeição – um “maxime ens” ou “ens realissimus”. Esse entre mais real chama-se “Deus” que é o ápice de todos os graus de perfeição. 5. O argumento teleológico. O argumento teleológico também é chamado pelos pensadores cristãos como “Argumento do Desígnio. Esses estudiosos argumentam que o desígnio e a formosura evidenciam-se no universo; mas o desígnio e a formosura implicam um arquiteto; portanto, o universo é a obra dum Arquiteto dotado de inteligência suficiente para explicar sua obra. O grande relógio de Estrasburgo tem, além das funções normais dum relógio, uma combinação de luas e planetas que se movem, mostrando dias e meses com a exatidão dos corpos celestes, com seus grupos de figuras que aparecem e desaparecem com regularidade igual ao soarem as horas no grande cronômetro. Declarar não ter havido um engenheiro que construiu o relógio e que este objeto “aconteceu”, seria insultar a inteligência e a razão humana. É insensatez presumir que o universo “aconteceu”, ou, em linguagem científica, que procedeu “do concurso fortuito dos átomos”! Suponhamos que o livro “O Peregrino” fosse descrito da seguinte maneira: o autor tomou um vagão de tipos de imprensa e com pá os atirou ao ar. Ao caírem no chão, natural e gradualmente se ajuntaram de maneira a formar a famosa história de Bunyan. O homem mais incrédulo diria: que absurdo! E a mesma coisa dizemos nós das suposições do ateísmo em relação à criação do universo. O exame dum relógio revela que ele leva os sinais de desígnio porque as diversas peças são reunidas com um propósito prévio. Elas são colocadas de tal modo que produzem movimentos e esses movimentos são regulados de tal maneira que marcam as horas. Disso inferimos duas coisas: primeiramente, que o relógio teve alguém que o fez, e em segundo lugar, que o seu fabricante compreendeu a sua construção, e o projetou com o propósito de marcar as horas. Da mesma maneira, observamos o desígnio e a operação dum plano no mundo e, naturalmente, concluímos que houve alguém que o fez e que sabiamente o preparou para o propósito ao qual está servindo. O fato de nunca termos observado a fabricação dum relógio não afetaria essas conclusões, mesmo que nunca conhecêssemos um relojoeiro, ou que jamais tivéssemos idéia do processo desse trabalho. Igualmente, a nossa convicção de que o universo teve um arquiteto, de forma nenhuma sofre alteração pelo fato de nunca termos observado a sua construção, ou de nunca termos visto o arquiteto. Do mesmo modo a nossa conclusão não se alteraria se alguém nos informasse que “o relógio é resultado da operação das leis da mecânica e explica-se pelas propriedades da matéria”. Ainda assim teremos que considerá-lo como obra dum hábil relojoeiro que soube aproveitar essas leis da física e suas propriedades para fazer funcionar o relógio. Da mesma forma, quando alguém nos informa que o universo é simplesmente o resultado da operação das leis da natureza, nós nos vemos constrangidos a perguntar: “Quem projetou, estabeleceu e usou essas leis?” Isso, em razão de ser implícita a presença de um legislador uma vez que existem leis. Tomemos para ilustrar a vida dos insetos. Há uma espécie de escaravelho chamado “Staghorn” ou “Chifrudo”. O macho tem magníficos chifres, duas vezes mais compridos do que o seu corpo; a fêmea não tem chifres. No estágio larval, eles enterram-se a si mesmos na terra e, silenciosamente, esperam na escuridão pela sua metamorfose. São naturalmente meros insetos, sem nenhuma diferença aparente e, no entanto, um deles escava para si um buraco duas vezes mais profundo do que o outro. Por quê? Para que haja espaço para os chifres do macho se desenvolverem com perfeição. Por que essas larvas, aparentemente iguais, diferem assim em seus hábitos? Quem ensinou o macho a cavar seu buraco duas vezes mais profundo do que o faz a fêmea? É o resultado dum processo racional? Não, foi Deus, o Criador, quem pôs naquelas criaturas a percepção instintiva que lhes seria útil. De onde recebeu esse inseto a sua sabedoria? Alguém talvez pense que a herdara de seus pais. Mas um cão ensinado, por exemplo, transmite à sua descendência sua astúcia e agilidade? Não. Mesmo que admitamos que o instinto fosse herdado, ainda deparamos com o fato de que alguém havia instruído o primeiro escaravelho chifrudo. A explicação do maravilhoso instinto dos animais acha-se nas palavras do primeiro capítulo de Gênesis: “E disse Deus” - isto é: a vontade de Deus. Quem observa o funcionamento dum relógio sabe que a inteligência não está no relógio mas sim no relojoeiro. E quem observa o instinto maravilhoso das menores criaturas, concluirá que a primeira inteligência não era a delas, mas sim do seu Criador, e que existe uma Mente controladora dos menores detalhes da vida. O Dr. Whitney, ex-presidente da Sociedade Americana e membro da Academia Americana de Artes e Ciências, certa vez disse que “um ímã repele o outro pela vontade de Deus e ninguém pode dar razão melhor.” “Que quer o senhor dizer com a expressão: a vontade de Deus?” alguém lhe perguntou. O Dr. Whitney replicou: “Como o senhor define a luz?. . . Existe a teoria corpuscular, a teoria de ondas, e agora a teoria do quantum; e nenhuma das teorias passa duma conjetura educada. Com uma explicação tão boa como essas, podemos dizer que a luz caminha pela vontade de Deus. . . A vontade de Deus, essa lei que descobrimos, sem a podermos explicar - é a única palavra final.” O Sr. A J. Pace, desenhista do periódico evangélico “Sunday School Times”, fala de sua entrevista com o finado Wilson J. Bentley, perito em microfotografia (fotografar o que se vê através do microscópio). Por mais de um terço de século esse senhor fotografou cristais de neve. Depois de haver fotografado milhares desses cristais ele observou três fatos principais: primeiro, que não havia dois flocos iguais; segundo: todos eram de um padrão formoso; terceiro: todos eram invariavelmente de forma sextavada. Quando lhe perguntaram como se explicava essa simetria sextavada, ele respondeu: “Decerto, ninguém sabe senão Deus, mas a minha teoria é a seguinte: Como todos sabem, os cristais de neve são formados de vapor de água a temperatura a temperaturas abaixo de zero, e a água se compõe de três moléculas, duas de hidrogênio que se combinam com uma de oxigênio. Cada molécula tem uma carga de eletricidade positiva e negativa, a qual tem a tendência de polarizar-se nos lados opostos. O algarismo três, portanto, figura no assunto desde o começo”. “Como podemos explicar estes pontinhos tão interessantes, as voltas e as curvas graciosas, estas quinas chanfradas tão delicadamente cinzeladas, todas elas dispostas com perfeita simetria ao redor do ponto central?” perguntou o Sr. Pace. Encolheu os ombros e disse: “Somente o Artista que os desenhou e os modelou conhece o processo.” Sua declaração acerca do “algarismo três que figura no assunto” me pôs a pensar. Não seria então que o trino Deus, que modela toda a formosura da criação, rubrica a própria trindade nestas frágeis estrelas de cristal de gelo como quem assina seu nome em sua obra-prima? Ao examinar os flocos de neve ao microscópio, vê-se instantaneamente que o princípio básico da estrutura do floco de neve é o hexágono ou a figura de seis lados, o único exemplo disso a todo o reino da geometria a este respeito. O raio do círculo cirncunscrevente é exatamente igual ao comprimento de cada um dos seis lados do hexágono. Portanto, resultam seis triângulos equiláteros reunidos ao núcleo central, sendo todos os ângulos de sessenta graus, a terça parte de toda a área num lado duma linha reta. Que símbolo sugestivo do trino Deus é o triângulo! Aqui temos unidade: um triângulo, formado de três linhas, cada: parte indispensável à integridade do conjunto. A curiosidade agora me impeliu a examinar as referências bíblicas sobre a palavra “neve”, e descobri, com grande prazer, este mesmo “triângulo” inerente na Bíblia. Por exemplo, há 21 (3 x 7) referências contendo o substantivo “neve” no Antigo Testamento, e 3 no Novo Testamento, 24 ao todo. Então achei 3 referências que falam da “lepra tão branca como a neve”. Três vezes a purificação do pecado é comparada à neve. Achei mais três que falam de roupas “tão brancas como a neve”. Três vezes a aparência do Filho de Deus compara-se à neve. Mas a maior surpresa foi ao descobrir que a palavra hebraica, “neve”, é composta inteiramente de algarismos “três”! É fato, embora não seja geralmente conhecido que, não tendo algarismos, tanto os hebreus como os gregos usavam as letras do seu alfabeto como algarismos. Bastava um olhar casual de um hebreu à palavra SHELEG (palavra hebraica que quer dizer “neve”) para ver que ela significa algarismo 333, ba como significa “neve”. No hebraico a primeira letra, que corresponde à nossa “SH”, vale 300; a segunda consoante “L” vale 30; e a consoante final, o nosso “G”, vale 3. Somando-as, temos 333, três algarismos de três. Curioso, não é verdade? Mas por que não esperar exatidão matemática dum livro plenamente inspirado, tão maravilhoso quanto o mundo que Deus criou? Acerca de Deus disse Jó: “Faz grandes coisas que não podemos compreender. Pois diz à neve: Cai sobre a terra” (Jó 37:5, 6). Eu já gastei dois dias inteiros para copiar com pena e tinta o desenho de Deus de seis cristais de neve e fiquei muito fatigado. E como é fácil para ele fazê-lo! “Ele diz à neve” - e com uma palavra está feito. Imaginem quanto são milhões de bilhões de cristais de neve caem sobre um hectare de terra durante uma hora, e imaginem, se pudera, o fato surpreendente de que cada cristal tem sua individualidade própria, um desenho e modelo sem duplicata nesta ou em qualquer outra tempestade. “Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir” (Sal. 139:6). Como pode uma pessoa ajuizada, diante de tal evidência de desígnios, multiplicados por um sem-número de variedades, duvidar da existência e da obra do Desenhista, cuja capacidade é imensurável?! Um Deus capaz de fazer tantas belezas é capaz de tudo, até mesmo de moldar as nossas vidas dando-lhes beleza e simetria. Champlin declara que todos os aspectos da vida e do ser demonstram um desígnio extremamente completo. Tudo quanto é vida possui propósito em seu ser, além de um esquema muito complexo de funções físicas, o que demonstra o mais estupendo desígnio. A complexidade de desígnios existente, por exemplo, no olho humano, é a demonstração suficiente da existência de uma inteligência cheia de propósito para confundir um milhão de ateus. A ordem que impera no universo físico é exata e maravilhosa para nossa apreciação. Ora, por detrás de todo esse propósito e desígnio deve haver um grande Planejador, ou seja, a mais elevada inteligência que se pode imaginar, – que foi capaz de pôr em movimento uma criação magnífica que sempre desperta a nossa observação. O Planejador é Deus e sua inteligência é atualmente demonstrada no mundo por ele criado. Por exemplo, há uma vaidade de mariposa que possui dez tipos diferentes de antenas, e que São receptores de luz. Por meio do seu uso, esse inseto é capaz de dirigir o seu vôo e a sua vida em geral. A ciência dos homens ainda não foi capaz de descobrir a utilidade específica de cada uma dessas variedades de antenas, mas os cientistas se maravilham extasiados ante o fenômeno. O engenho humano jamais foi capaz de desenvolver antenas com essa sensibilidade. No entanto, alguns animais possuem receptores de luz ainda mais complicados e prefeitos, aos quais chamamos de olhos. Por detrás de desígnios tão inteligentes, deve haver um Intelecto Supremo. E essa inteligência extraordinária se chama Deus. Até mesmo as coisas inanimadas têm desígnio, e essas coisas, juntamente com outras coisas de desígnio mais complexo, adicionam o seu testemunho em favor do grande Planejador. 6. O argumento da eficácia da razão. A razão humana, com sua extraordinária complexidade e com muitíssimas sutilezas e seus poderes abstratos, comprova a necessidade de admitirmos, em nossa ontologia, o Criador e Planejador desses poderes, sendo, ele mesmo, o Intelecto supremo. A razão humana é apenas uma pequena demonstração da razão divina. Até mesmo as tentativas racionais do homem, par provar que Deus não existe, não passam de demonstrações que Deus verdadeiramente existe, porquanto essas tentativas são um uso e uma exibição da razão, o que, quando devidamente examinado, inevitavelmente nos conduz de volta a Deus. Esse argumento é uma faceta do argumento teológico, discutido acima, no ponto anterior. Alguns teólogos dividem esse argumento didaticamente em fases. A primeira fase deste argumento é de “causa e efeito”. Ao nosso redor existem efeitos tais como matéria e movimento. Há três alternativas para a sua explicação: (1) eles existem eternamente; (2) surgiram do nada ou (3) foram causados. Vamos examinar essas alternativas em ordem. Primeiro, não é provável que o universo tenha existido eternamente, pois toda evidência indica um universo que está se desgastando. De acordo com a segunda lei da termodinâmica, o sol e as estrelas estão perdendo energia em considerável proporção. Se tivessem existido desde a eternidade, já estariam esgotados. Os materiais radioativos estão perdendo a sua radiação. Os estudos espectográficos das estrelas mostram que todos os corpos estão viajando para fora a partir do centro, indicando um começo. Segundo, dizer que a matéria e o movimento emergiram do nada é uma contradição: “Do nada, nada surge.” Terceiro, a explicação mais razoável é que a matéria e o movimento foram criados num ponto do tempo. Atualmente, a maioria dos cientistas data o universo de maneira variada, entre cinco e vinte bilhões de anos de antigüidade. Alguns propõem uma série de emergências ou um criador impessoal, mas, considerando a existência de inteligências e a grande complexidade da criação, é mais provável que o universo seja obra de um Criador inteligente, como exposto na Bíblia. Não é provável que uma fonte suba mais alto que seu manancial, ou que seres racionais surjam de uma fonte irracional. Outra fase do argumento a partir da razão é que o homem possui um conhecimento inato de Deus. Isto se evidencia pela crença universal num ser supremo de algum tipo. É difícil encontrar uma tribo que não acredite num ser ou força superior. “O homem é incuravelmente religioso”. Isto não significa que todos os homens tenham uma crença completamente firmada em Deus, mas parece indicar que a crença religiosa e a tendência para adorar uma divindade são naturais ao homem. Até mesmo o ateu, que nega a existência de Deus, demonstra que é confrontado com a idéia de Deus e deve de algum modo dispor do conceito. 7. O argumento moral. Em sua forma original, esse argumento assevera que o elevado senso de moralidade que algumas pessoas possuem pode ser melhor explicado se supormos eu esse senso se assemelha ao do grande Ser moral. Essa explicação é melhorada que atribuímos tal moralidade a fatores meramente biológicos ou físicos. De conformidade com esse ponto de vista, aceitamos que elevado senso moral se deriva da influência exercida por um Deus santo. Em suas formas mais complexas, compreendemos que esse argumento mostra que até mesmo o vocabulário da moralidade, que se refere a conceitos como “bondade”, “justiça”, e “conduta ideal” subentende um elevadíssimo Padrão de moralidade, o qual inspira a moralidade no homem, o que por sua vez, é refletido na própria natureza da linguagem humana. Outrossim, o argumento moral, em suas formas mais complexas, afirma que existe na mente humana a intuição de que deve haver uma retribuição apropriada às ações morais dos homens, subentendem que deve haver um juiz capaz de dispensar retribuições na forma de bênção ou punição. Além disso a experiência e a observação humanas demonstram que, nesta existência terrena, a injustiça pode prevalecer e freqüentemente o faz, pelo que a injustiça, neste lado terreno da vida, não se cumpre. A razão também nos diz, por conseguinte, que deve forçosamente haver a imortalidade, pois é no “outro lado” da existência que a justiça terá de ser satisfeita. Ora somente o Juiz absoluto pode fazer os ajustamentos necessários para que a justiça repouse sobre todos, através da bênção ou através do castigo. A este Juiz nós chamamos “Deus”. O raciocínio da pura moral humana requer a existência de Deus. Outrossim, alicerçados em bases bíblicas, como vemos em Rm. 1:19,20, ou como se vê em João 16:8-11, percebemos que esse Juiz transmite pessoalmente aos homens quais sejam as exigências morais deste mundo. Reiterando toda essa idéia, o homem dispõe de natureza moral, isto é, a sua vida é regulada por conceitos do bem e do mal. Ele reconhece que há um caminho reto de ação que deve seguir e um caminho errado que deve evitar. Esse conhecimento chama-se “consciência”. Ao fazer ele o bem, a consciência o aprova; ao fazer ele o mal, ela o condena. A consciência, seja obedecida ou não, fala com autoridade. Assim disse Butler acerca da consciência: “Se ela tivesse poder na mesma proporção de sua autoridade manifesta, governaria o mundo, isto é, se a consciência tivesse a força de por em ação o que ordena, ela revolucionaria o mundo. ”Mas acontece que o homem é dotado de livre arbítrio e, portanto, pode desobedecer àquela voz íntima. Mesmo estando mal orientada, sem esclarecimento, a consciência ainda fala com autoridade, e faz o homem sentir sua responsabilidade. “Duas coisas me impressionam”, declarou Kant, o grande filósofo alemão, “o alto céu estrelado e a lei moral em meu interior.” Qual a conclusão que se tira deste conhecimento universal do bem e do mal? Que há um Legislador que idealizou uma norma de conduta para o homem e fez a natureza humana capaz de compreender esse ideal. A consciência não cria o ideal; ela simplesmente testifica acerca dele, registrando a sua conformidade ou não-conformidade. Quem originalmente criou esses dois poderosos conceitos do bem e do mal? Deus, o Justo Legislador! O pecado ofuscou a consciência e quase anulou a lei do ser humano; mas no Monte Sinai Deus gravou essa lei em pedras para que o homem tivesse a lei perfeita para dirigir a sua vida. O fato de que o homem compreende esta lei, e sente a sua responsabilidade para com ela, manifesta a existência dum Legislador que criou o homem com essa capacidade. Qual é a conclusão que podemos tirar desse sentimento de responsabilidade? Que o Legislador é também um Juiz que recompensará os bons e castigará os maus. Aquele que impôs a lei finalmente defenderá essa lei. Não somente a natureza moral do homem, como também todos os aspectos da sua natureza testificam da existência de Deus. Até as religiões mais degradadas demonstram o fato de que o homem, qual cego, tateando, procura algo que sua alma anela. A fome física indica a existência de algo que a possa satisfazer. Quando o homem tem fome, essa fome indica que há alguém ou algo que o possa satisfazer. A exclamação, “a minha alma tem sede de Deus” (Sal. 42:2), é um argumento a favor da existência de Deus, pois a alma não enganaria o homem com sede daquilo que não existisse. Assim disse certa vez um erudito da igreja primitiva: “Para ti nos fizeste, e nosso coração estará inquieto enquanto não encontrar descanso em ti.” |
| Robson Brito, Pr. |